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15/03/2010
12.03.2010 - Siderúrgicas na Europa e EUA retomam projetos de expansão em 2010
As companhias siderúrgicas e distribuidoras de aço na Europa e nos EUA estão alocando orçamentos maiores para projetos de expansão em 2010, sinalizando um potencial retorno à rentabilidade apesar de a demanda por aço em alguns mercados, como o europeu, continuar fraca.
A ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo em volume, planeja aumentar seu investimento de capital em 43% para US$ 4 bilhões este ano, enquanto a russa OAO Severstal, 14ª maior siderúrgica do mundo em volume, planeja elevar seu investimento de capital em 40% para US$ 1,4 bilhão em 2010.
As companhias não deram informações detalhadas de como planejam gastar entre manutenção e projetos de expansão, mas ambas mencionaram que pretendem investir em projetos de expansão, depois de terem engavetado planos no ano passado em virtude da recessão econômica global.
O aumento nos investimentos é um sinal de que as siderúrgicas acreditam que a recuperação econômica global está em andamento e que a demanda por aço de setores fundamentais, tais como automóveis, construção e ferramentas, provavelmente vai crescer.
Contudo, o crescimento será geograficamente variado, dependendo da extensão na qual cada país ou região foi afetada pelo declínio econômico global. A maior distribuidora de aço independentes na América do Norte e Europa, Kloeckner & Co, disse durante a apresentação do resultado anual ontem que 2010 ainda apresentará um "ambiente desafiador" para a companhia, embora espere resultados operacionais "claramente positivos" para 2010, conduzido por um aumento de 20% nas vendas.
Reposição de estoques
A Kloeckner espera que as vendas cresçam à medida que os clientes façam a reposição dos exauridos estoques de aço e continuem a comprar distribuidores. A companhia já adquiriu duas distribuidoras europeias este ano e planejar comprar mais.
A siderúrgica russa Severstal, com operações nos EUA e Europa, disse que o planejado aumento no investimento de capital para US$ 1,4 bilhão este ano, de US$ 1 bilhão em 2009, "reflete a melhora na nossa confiança na perspectiva de mercado". Ao redor de US$ 800 milhões do total será dedicado à expansão, dos quais 50% deverão ser gastos em projetos na Rússia, particularmente construção e fabricação, e 25% nos ativos na América do Norte, segundo relatório do Citigroup.
"Acreditamos que o mercado norte-americano continuará a melhorar em 2010 e que alcançaremos uma melhor taxa de utilização da capacidade instalada. Como tal, continuamos a focar na implementação do nosso plano de reestruturação, redução adicional de custo e gerenciamento de gasto de capital mais apertado", disse a Severstal.
Mercados emergentes
Por fim, a Severstal e outras siderúrgicas estão mais inclinadas em investir seus fundos em mercados emergentes, tais como a Rússia, Brasil e China, do que mercados desenvolvidos, tais como os EUA e a Europa. A ArcelorMittal planeja investir US$ 4 bilhões em suas operações em 2010, dos quais US$ 1 bilhão serão gastos em projetos de crescimento, principalmente nos mercados emergentes. A companhia disse no ano passado que suspendeu todos seus projetos de expansão por causa da recessão econômica.
A maior siderúrgica do mundo espera que os clientes comprem 10% mais aço globalmente em 2010, com os clientes tanto nos mercados desenvolvidos quanto emergentes - excluindo a China - elevando suas compras em 15%, respectivamente.
Os clientes na China serão uma exceção, com a companhia projetando um aumento de apenas 5% nas compras de aço porque muitas já fizeram a reposição de seus estoques. No geral, a ArcelorMittal espera que os mercados emergentes tenham uma contribuição ligeiramente maior para o crescimento da demanda por aço em 2010 em comparação com os países desenvolvidos.
Novo recorde
As siderúrgicas estão retomando projetos de expansão em virtude das expectativas de que a demanda global de aço em 2010 poderá alcançar ou até mesmo superar os níveis recordes registrados em 2007. A empresa de consultoria britânica MEPS International prevê que a produção de aço bruto vai crescer 11% para um novo recorde de 1,35 bilhão de toneladas em 2010.
Apesar das expectativas de crescimento na demanda, existe uma chance de algumas siderúrgicas poderem enfrentar um aperto nas margens operacionais, pelo menos no curto prazo, em virtude do aumento nos custos das matérias primas. Contudo, as siderúrgicas estão confiantes de que serão capazes de repassar os custos para os clientes, uma vez que os estoques em muitas regiões, particularmente nos EUA e na Europa, continuam baixos e os clientes vão precisar comprar mais aço com objetivo de manter seus negócios. Além disso, as siderúrgicas precisam repassar os custos para manterem as margens de lucro de suas operações economicamente viáveis.
As siderúrgicas já estão repassando os custos mais altos das matérias primas aos clientes na forma de preços mais altos. Os preços da bobina laminada a quente nos EUA subiram 13,5% em fevereiro para ao redor de US$ 607 a tonelada curta, em comparação com dezembro, enquanto os preços do laminado quente no Norte da Europa subiram 3,8% para 415 euros por tonelada métrica em fevereiro em comparação com dezembro, segundo o The Steel Index. O aumento foi em parte em virtude dos custos mais altos das matérias primas e crescimento das encomendas nas siderúrgicas.
Fonte: Dow Jones